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Tempo quaresmal, tempo de amar
 
 
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Tempo quaresmal, tempo de amar

Iniciamos como Igreja o nosso percurso da Quaresma, rumo a Páscoa do Senhor. É um tempo para nos abrirmos a certeza que pertencemos a Deus e como filhos e filhas nos colocar diante das práticas de piedade recomendadas neste tempo quaresmal como a esmola, oração e jejum, ou seja, nos colocar em sintonia com o nosso próximo, com Deus e com nós mesmos.

03.03.2022 - 12:17:53 | 5 minutos de leitura

Autor - Pascom
Tempo quaresmal, tempo de amar

Iniciamos como Igreja o nosso percurso da Quaresma, rumo a Páscoa do Senhor. É um tempo para nos abrirmos a certeza que pertencemos a Deus e como filhos e filhas nos colocar diante das práticas de piedade recomendadas neste tempo quaresmal como a esmola, oração e jejum, ou seja, nos colocar em sintonia com o nosso próximo, com Deus e com nós mesmos.

 

Esta quarta-feira de cinza (3 de março), assumimos o compromisso de nosso santo Padre, para rezarmos pela paz e solidariedade pelo fim da guerra que ocorre na Ucrânia, a paz de todos está ameaçada, nos disse o papa. Naquele povo ameaçado, amedrontado pela guerra e impedido de seguir suas vidas normalmente estão milhares de cidadãos que vêem suas histórias marcadas pela perda de vidas inocentes, pela destruição do país e pelo afronte do poder que percebemos nas mãos de tiranos. Essa guerra fere a todos nós e nos faz pensar na dureza que passa no coração dos que querem justificar o massacre humano. Há dureza no coração do homem e precisamos vencer estas tentações.

 

A Quaresma nos chega em um momento oportuno para reconhecer que precisamos todos de conversão, precisamos mudar de vida, precisamos acolher mais o outro, a nós mesmos e a convicção que a bondade de Deus sempre nos acompanha como ouvimos no Salmo 50 desta liturgia de quarta de cinzas, Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos. Não obstante nosso pecado, nosso orgulho e indiferença é na imensidão do amor de Deus que pedimos pessoalmente de nos purificar. Este é o caminho que vamos percorrer ao longo destes 40 dias que nos conduzirão à Páscoa do Senhor, sermos homens e mulheres, sedentos de um coração mais puro, decidido e determinado pela compaixão de nosso Deus.

 

À luz desta esperança, aponto duas motivações para este nosso itinerário de conversão: a mensagem do Papa para a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, ambos deste ano.

 

Na mensagem do Papa o apelo nos vem pela Palavra de Deus presente em (Gl 6,9-10a): “Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos”.

 

Temos um único tempo presente, a nossa vida, e nela somos chamados a praticar incessantemente o bem. Estamos neste mundo de passagem, somos sementes à espera da grande colheita, nas palavras de S. Paulo: “Quem pouco semeia, também pouco há de colher; mas quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá” (2Cor 9,6). Se trata da colheita da vida, o fruto do bem semeado, por nós mesmos e em nossas relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes de bondade, tornam-nos mais humanos e fraternos. Em Deus nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma das nossas “generosas fadigas” se perde (Exort. Evangelii Gaudium, 279). Tal como a árvore se reconhece pelos frutos, assim também a vida repleta das obras boas é luminosa e difunde pelo mundo o perfume de Cristo. Servir a Deus, livres do pecado, faz maturar frutos de santificação e salvação para todos.

 

A segunda motivação nos vem da CF2022 com o tema: Fraternidade e educação; lema: Fala com sabedoria, ensina com amor”. Destaco dois trechos desta campanha que também nos fala sobre o exercício do bem na prática da vida humana. 

 

233. Todo bom projeto de vida também deve focar na realização do bem, principalmente do bem comum, o bem social. Mas isso só é possível ao enfrentar e superar os desafios projetados, contrariamente, pelo mal. Então é uma luta entre duas forças divergentes e antagônicas. O caminho a percorrer é de portas estreitas e muito exigentes dentro do mundo da secularidade e exacerbada pela midiática moderna. 

 

234. Para o cristão, o projeto de uma vida autêntica depende do testemunho de fé e de experiência profunda com Deus. É processo de luz, de comunicação com o mundo e com as pessoas em uma dimensão de amor e fraternidade. Essa atitude, quando verdadeira, consegue transformar as relações de convivência. Com isso, a vida passa a ter uma nova dimensão, um novo sentido e ser muito mais saudável.

 

A Quaresma é o tempo providencial para que o cristão converta o seu coração para o Senhor, ame mais a Deus e viva a fraternidade. À medida que assumimos a Quaresma como tempo favorável à conversão do coração, somos levados menos às penitências e aos jejuns rituais e mais a amar, superando barreiras, fazendo renúncias, restaurando relações, vivendo a fraternidade. “Com certeza compreenderemos, agindo desse modo, que o amor é muito mais valioso do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc 12,22-35).

 

A partir dessas considerações, passamos a entender a razão litúrgica da imposição das cinzas no início do tempo quaresmal. Sua recepção é sinal de humildade diante de Deus e vontade pessoal de buscar vida nova, ou seja, de colocar em nossa vida os valores do Evangelho. As cinzas não perdoam os pecados, mas sinalizam que nossa vontade quer ir ao encontro do mandamento maior: amar a Deus e ao próximo.

 

As penitências, abstinências e jejuns por si mesmos valem muito pouco. Não são fins, mas meios para revigorar a nossa identidade de cristãos, para fortalecer a nossa vontade na busca do bem. Em outras palavras, o jejum e a abstinência adquirem a sua verdadeira razão quando nos ajudam na busca da vida nova, revelada pelo próprio Jesus Cristo.

 

A cada um de nós desejo uma boa quaresma!


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